quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Estudos de Caso - Exagero ou Necessidade?

De que modo deve ser feito a regulamentação da publicidade infantil no Brasil? Proibir, regulamentar, liberar? Alguns projetos de Lei vêm sendo estudados com o intuito de se proibir todo e qualquer tipo de publicidade que venda produtos do universo infantil. Enquanto esses projetos são debatidos a única forma de "proteção" atual da criança contra a publicidade é o CONAR, o orgão de auto-regulamentação da propaganda brasileira.


Passeando pelo site do CONAR você pode encontrar diversos casos, abertos e fechados, de proibição e retiro de propagandas do ar. Alguns fazem certo sentido, outros nem tanto. E você como acha que deve ser feito? Deve ser proibido? Deve ser melhor regulamentado? Certos casos são importantes para proteger nossas crianças ou são apenas exagero dos "politicamente corretos". Dê uma lida nos casos a seguir, extraídos do site do CONAR e tira suas próprias suposições.

Representação nº 019/86

Denunciante: Conar, de ofício, mediante queixa da Associação de Proteção ao Consumidor, perfilhada pelo Sindicato das Agências de Propaganda, ambos do Rio Grande do Sul.

Anunciante: anúncio do brinquedo "MOTO LASER" (TV)

Anunciante: GLASSLITE S.A. INDÚSTRIA PLÁSTICO

Agência: ASSESSOR COMUNICAÇÃO SOCIAL INTEGRADA LTDA. SCALI, McCABE, SLOVES

Relator: Consº Paulo Augusto de Almeida

O anúncio,

Segundo os queixosos, mostra o brinquedo disparando "tiros luminosos, que derrubam muros", ação ou não verdadeira ou extremamente perigosa.



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Representação nº 007/89
Denunciante: Conar, de ofício
Denunciado: anúncio "MENINA" (TV)
Anunciante: EXÉRCITO DA SALVAÇÃO
Agência: J. WALTER THOMPSON PUBLICIDADE LTDA.
Relator: Consº José de Almeida Santos Neto
O Anúncio
(Menina) - ...aí meu, tá a fim d'uma ervinha, eu tenho aqui e é da lata. Ô moço, dá um trocado eu não comi hoje, tô com fome. Viu como eu sei fazer? Já tava botando a mão no bolso, né. Então bota, mas bota na conta do Exército.
(Locutor) - Exército da Salvação ajudando as pessoas a saírem da miséria. (Menina) Passa a grana e joga na conta do Exército.
A denúncia, reconhecendo de plano a grandeza e a seriedade dos propósitos nele presentes, entendeu que o comercial fora infeliz na escolha da modelo, menor, apresentada como "passadora" de drogas e até de pequena assaltante.
Fundamentou-se a representação no artigo 37, letra "f", do Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária.

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Representação nº 108/91


Denunciante: Conar, de ofício


Denunciado: anúncio "GELEINHA" (TV)


Anunciante: TIVOLI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.


Agência: AJS PRODUÇÕES ARTÍSTICAS PUBLICIDADE LTDA..


Sindicante: Consº Celso Japiassu (Presidente da 3ª Câmara)


Relator : Consº José Francisco Queirós


O Anúncio


Apregoando um brinquedo sob forma de massa e com o nome de Geleinha, faz uso de modelos infantis manipulando o produto de diversas formas, inclusive aproximando-o da boca.


















E aí?

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Primeiros debates sobre a relação infância e mídia

Foi na Suécia, onde aconteceram escândalos envolvendo grupos organizados que usavam crianças na produção de filmes pornográficos que os suecos organizaram em 1996 um congresso mundial para compreender e detalhar a relação da infância com a mídia.

A rainha Silvia Sommerlath, que viveu dos 4 aos 13 anos no Brasil, teve participação importante nessa reviravolta ao defender publicamente que se as leis do pais onde é majestade não estivessem de acordo com as exigências da atualidade elas deveriam ser mudadas. A população pressionou o governo sueco a patrocinar amplo debate em todo o país para discutir a manipulação das crianças pelo mercado. Em uma movimentação democrática que envolveu os mais diversos setores sociais, o congresso aprovou uma lei que criminaliza a pornografia infantil e proíbe a publicidade para menores de 12 anos, inclusive em celular, internet e outdoor.

Rainha Silvia Sommerlath

Fonte: Livro "Eu era assim" Flávio Paiva


domingo, 13 de novembro de 2011

Dica de filme - Criança, a alma do negócio.

Por que meu filho sempre me pede um brinquedo novo? Por que minha filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que meu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que eu comprei maquiagem para minha filha se ela só tem cinco anos? Por que meu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que eu não consigo dizer não? Ele pede, eu compro e mesmo assim meu filho sempre quer mais. De onde vem este desejo constante de consumo?

Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumas. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Ter pra Ser

Ter pra Ser.

Ter pra ser alguém

Ter pra ser o melhor

Ter pra ser inteligente

Ter pra ser diferente

Ter pra ser único

Ter pra ser feliz

Quantas vezes não já ouvimos bordões como esses nas nossas vidas?

E quantas vezes compramos algum produto pensando que se tivéssemos isso poderíamos ser mais felizes, diferentes ou únicos?

Com o objetivo de discutir o espaço da publicidade nas nossas vidas, esse blog foi criado e convidamos você para que juntos, fazermos dele um lugar de reflexão e análise.

Por acreditar que é a partir da infância que começa essa cultura do consumismo que gera o “Ter para Ser”, que decidimos começar as nossas discussões com o tema “infância e consumo”.